Reflexões;

A sentença pune pelo crime, mas o criminoso será sempre criminoso; palavras não apagam atos;

Deus fez o homem criança para que ele entedesse de limitações, ele só não entendeu de quem;

...a justiça suborndinou-se à lei, que na expectativa de atendê-la, não escapou a caprichos do poder, deixando, assim, sua função precípua em segundo plano;

sexta-feira, 30 de março de 2012

O BRASIL, SEUS CRIMES E CRIMINOSOS



Bebida + direção = a morte? Pode ser.
Carro potente + alta velocidade = a morte? Com certeza.
Corrupção + Poder X Poder mais Corrupção = a morte anunciada? Será?
Político + Corrupção = a morte anunciada? Será?
Indiferença do ESTADO + omissão da sociedade = a violência, criminalidade, etc? Com certeza.
Oportunismo + demagogia = demagogia?
Ou seja, a Lei Seca da forma que está posta é demagógica, pois não apenas deixa impune o mau elemento que dirige bêbado e produz tragédias, também generaliza, igualando quem toma um copo de cerveja a quem bebe uma “grade”. Em verdade, não há preocupação em se frear a morte no trânsito, caso houvesse, seria tão fácil quanto tirar doce de criança, pois bastaria, em princípio, produzir carros que atingissem apenas a velocidade máxima permitida pela lei. Por que não se faz isso?
Já que a lei pune quem dirige automóvel acima de 110 Km/h, nas rodovias, por que não se defender que carros sejam produzidos dentro desse princípio? Por que não se encampar uma corrente dessa natureza contra os fabricantes de carros que os produz desrespeitando os limites de velocidade permitidos pela legislação, e, por consequência, produzindo mortes, órfãos, viúvas, viúvos, lágrimas, mais violência…?
Se o governo tem instrumentos para impor ou oferecer “à sociedade” o que quer ou lhe convém, por que não usa esses instrumentos para proteger a vida de forma ampla e geral? Por que não impedir que entre carros, no país, que atinjam velocidade superior ao permitido pela lei?
Será que a preocupação dos ferrenhos defensores da Lei Seca, com o devido respeito, está mesmo relacionada aos casos de morte, ou às multas? Até porque, a Lei Seca mais dura não garantirá o fim das mortes, mas, com certeza, o aumento da arrecadação via multas; além de impor ao Estado e à sociedade o ônus de alimentar maior legião de detidos, senão de “aleijados/inutilizados” e etc.
Não tenho lembrança de ver ninguém se mobilizar contra a corrupção via atitudes concretas, capazes de oferecer resultados reais. Por que a sociedade não se mobiliza contra todo tipo de corrupção, especialmente quando se desvia recursos públicos, expediente que tira recurso da saúde, da educação, da segurança, do saneamento, etc. Por que a sociedade não se mobiliza para que o político corrupto perca seus direitos políticos de forma definitiva, assim, ela, a sociedade, não precisará temê-lo sempre. Igualmente, por que não nos mobilizamos no sentido de impor leis que impeçam assassinos de toda ordem, de cometer assassinatos por mais de uma vez?
Será que esses “furiosos” defensores de uma Lei Seca mais dura quer mesmo se proteger e à sociedade, ou faz lobby para parecerem politicamente corretos?
Sempre ouvi que o trânsito no Brasil mata mais que algumas guerras mundo afora, e tenho dito que, em boa parte, isso ocorre por omissão do governo brasileiro, pois não há expediente político que não esteja a serviço de “outros expedientes”, independente do que pensa ou faz a sociedade, e esta não é capaz de se organizar contra esse tipo de político e política…
Quantos políticos no Brasil, para ficar só na política partidária, já roubaram e roubam o país, de ‘cabo a rabo’, e por isso são ricos, nobres, egrégios senhores e senhoras, sem que nada tenha lhes acontecido, com rarissíssimas exceções?
Entendo e não sou contra que se puna o cidadão irresponsável, corrupto, ladrão, assassino, etc., mas não consigo concordar com a “onda” que foca um alvo, talvez até minimizando tantos outros e não de menor vulto, quando o país está cheio de crimes e criminosos tão ou mais periculosos quanto o cidadão que dirige bêbado.
Nós votamos, mesmo reclamando de sermos obrigados a isso, mas não fazemos esforço igual ou similar para protestar contra o mal que nos pune de forma incansável e hereditariamente, exceto quando “teleguiados” por espertalhões não menos nocivos que aqueles que elegemos.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Algo incomoda você?

Meu nobre desconhecido, permita-me atentar contra seu comodismo e igualmente pedir seu radicalismo contra todas as safadezas de todo e qualquer cidadão, deste e de qualquer outro país. Permita-me atentar contra sua possível incapacidade de se indignar e igualmente pedir que não abra mão de seu direito de sonhar. Sonhar não é alimentar fantasias, ao contrário, é acreditar que é possível fazer diferente, e fazer diferente é estimular milhares de outros cidadãos a seguir seu caminho.
Meu nobre cidadão desconhecido, este país "não sabe" o que é justiça, mas nem por isso devemos nos atirar, às cegas, ao nosso desejo de fazê-la com as próprias mãos, não obstante a dor que nos martiriza pela usurpação de nossos direitos mais elementares. Não tenho dúvida de que podemos, senão fazê-la, ao menos provocar para que, de alguma forma, ela seja feita. Podemos sim, embora possa haver alguém que ache o contrário. E para mostrar que podemos, convido você a acompanhar meu raciocínio a respeito.
Por exemplo: insista em não abrir mão de seu direito, negue-se a fazer o que “condena” nos outros, negue-se ao direito de calar-se, negue-se ao direito de condenar a fraqueza de quem não conseguiu a mesma vitória que você, negue-se ao direito de censurar o diferente, ao contrário, tente ver nele, o mesmo direito de escolha que vê em você. Seja sensato sem deixar de ser crítico, seja razoável, sem deixar de radical, seja duro sem perder o direito de sensibilizar-se. Não comungue com a violência contra o indefeso, seja cuidadoso com as ordens de sua ira ou mesmo de sua razão, não aceite o estabelecido como ponto final.
Tudo que aí está foi alguém que estabeleceu, isto é, muito do que temos como legal, nada mais é que fruto da imposição de alguém que teve a “força”, portanto,  o poder de impor, em determinado momento da história, e que pela fraqueza de tantos outros, foi ficando como legal, como norma, como ordeiro, como regra. Ou seja, a vontade do mais forte foi imposta como regra, a qual se tornou lei, a qual impôs ao mais fraco a obrigação de obedecê-la, a mesma que determina como crime sua desobediência.
É hora de repensarmos nossa sociedade, suas regras, seus “senhores”, suas razões, suas lógicas, e onde couber, sugerirmos oportunas alterações de modo que outros atores possam fazer parte da cena. Não é razoável que se aceite uma regra baseada em caprichos e pseudos direitos de grupos em detrimento de quem quer que seja. A riqueza de um país não pode ser concebida a uns e negada a outros, uma vez que todos participam de sua construção, claro, obedecendo a devida proporção. Não se deve aceitar passivamente que a educação, a saúde, o emprego, a segurança, portanto, o bem estar, não sejam patrimônios de todos. Da mesma forma, é dever de quem se arvora como administrador, seja da nação, seja de um reles município, assegurar a ordem pública perante seus cidadãos e igualmente dar o exemplo que exige desses.
Portanto, meu nobre desconhecido, se quisermos podemos sim, promover a mudança, basta que nos posicionemos aqui, de onde não devemos arredar pé, de modo a cobrarmos tudo daqueles que vierem assumir tais responsabilidades, claro, igualmente negando-nos tudo que condenarmos neles ou em qualquer outro. Para tanto, precisamos ser corajosos, perseverantes e jamais imediatistas. Caso não consigamos ou não estejamos dispostos a assumir tarefa tal, certamente não estaremos em condição de pretender nada, tampouco de sonhar.

Cidadão Macambira
05/09/11

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Biscateiros de carteiras

Eu sou biscateiro,
Não nego, sou interesseiro,
Gosto de dinheiro
E o meu primeiro;
Eu tenho amigos
Que concordam comigo,
Também inimigos,
Uns tais antiquorum,
Tolos reacionários,
Contra seus próprios salários,
Quem eles pensam que são?
Aqui ou lá no congresso,
Palavras! Não meço,
Meto o pau na oposição;
Se me enfrentam
Eu pilherio,
Quorum!
Só dou quando quero,
A maioria lidero,
E assim biscateio
Cargos, mordomias e jetons,
Amigos e inimigos bons,
Garantindo assim
Nossa reeleição;
O povo é receptivo,
Ignorante, mas compreensivo,
Apesar dos subversivos;
Um abraço,
Um aperto de mão,
Causa-lhes nova impressão,
E na próxima eleição,
Essa enorme multidão,
Ao congresso nos retornarão,
E lá nos aposentaremos;
Mas jamais nos negaremos,
A esse povo que sabemos,
Não nos esquecerão,
Pois se alguém tropeça
Não há quem nos impeça
De lhes condenar,
E darmos aos brasileiros,
Testemunho de justiceiros,
A lhes defender,
E assim,
Quem nos acusará?
CPIS! Quem as formará
Pra nos investigar?
E se alguém se ousar,
O faremos calar;
Tal culpa,
Saberemos a quem dar,
E nos manteremos,
Líderes, presidentes,
De câmaras, senado e nação,
Estados, municípios e povão,
E assim passaremos nossas cadeiras,
Aos nossos e/ou nossas herdeiras,
Dando-lhes por garantia,
E em nome da democracia,
Nossa história, nosso nome,
De grandes e pequenos homens,
Como herdamos de nossos pais,
Antes e ainda fácil demais,
E cada dia mais:
Uma política industrializada,
De manobras organizadas,
E mentiras deslavadas,
Mas que nos somam
Incríveis dividendos,
E felizes vão sendo,
Quem no poder morrer,
E assim se defendendo
De mesmo, remotos,
Inquéritos horrendos,
Estupendos…

segunda-feira, 29 de agosto de 2011